O Encanto Das Histórias Infantis


A cena não é rara: uma criança vestida para dormir, agarrada a um travesseiro ou a outro objeto de seu apego, diz a frase para o pai, a mãe ou o adulto com o qual esteja acostumada nesse momento do dia – “Conta uma história. ”


Para muitas crianças, a leitura dos pais é um momento esperado, momento de afeto, proximidade e exclusividade. Não há como ler uma história para uma criança e ao mesmo tempo falar ao telefone, usar o computador ou conversar com outro adulto.


É um encontro a sós que o livro proporciona entre seres que se amam. É um espaço dedicado ao filho. A criança rapidamente percebe isso. Muitos adultos acabam reservando, então, o momento de colocar o filho para dormir para esta entrega. Livros, revistas, gibis, poesia, letra de música. Quanta coisa a ser lida. Quanta coisa a ser aprendida com uma leitura, quantos conhecimentos e sentimentos acionados.


Poder proporcionar isso a uma criança é um privilégio. Mas saber fazê-lo torna-se uma arte. A arte de fazer com que a leitura seja para aprender a ler, para aprender a aprender o que não sabe e ler para divertir.


Li certa vez em um texto do humanista argentino González Pecotche, autor da Pedagogia Logosófica, que o livro é um “elemento de inestimável valor para o assessoramento da inteligência, o fundamento da cultura e da ilustração dos povos”. Ao refletir sobre isso e sobre a produção literária que nem sempre está preocupada com a qualidade, com o teor construtivo, da utilidade intelectual, moral e até mesmo espiritual para o seu leitor, senti-me mais responsável pelas leituras que tenho feito com a minha filha.


Venho percebendo que não basta ler para os filhos. É preciso saber ler e saber escolher o que se vai ler para eles. Que sensações obtenho, quando ao terminar uma história, ouço um pedido: “conta de novo”?


Se queremos que um filho goste e aprecie uma boa história, bons livros e momentos de leitura é preciso oferecer oportunidades. Este é o primeiro passo. Ao chegar em casa certa noite, minha filha encontrava-se no banho. Fui até o seu quarto e coloquei em cima de sua cama um embrulho. Nele, havia um livro. Na verdade, um almanaque recheado de poesias, contos, anedotas, passatempos, curiosidades, ou seja, de tudo um pouco. Coloquei na dedicatória: “que você se divirta muito com o livro e, de preferência, comigo ao seu lado! ” Ao chegar em seu quarto, notei sua expressão ao abrir o embrulho: feliz! Aquele exemplar ficou em suas mãos por muitos dias seguidos. Como nos divertimos com suas páginas. Como esperávamos o momento de exclusividade uma com a outra para aprendermos e darmos boas gargalhadas com seu teor infantil e puro.


Venho aprendendo a selecionar mais, estou mais atenta às intenções dos autores, para que de fato minhas leituras e as de minha filha sejam realmente úteis. E podem ser úteis, como disse antes, para informar e para divertir. Tenho aprendido também que na mente gestam-se pensamentos de muitas índoles e que o livro é um veículo de levar o pensamento do autor para muitos outros seres.


Plenamente estimuladas, é claro, nossas crianças poderiam fazer muito mais do que têm feito. Uma pesquisa que li recentemente, revela que no Brasil, aproximadamente ¼ da população alfabetizada sabe ler, mas não sabe analisar, comparar, criticar e compreender nas entrelinhas o que está sendo lido.


Então, que encanto é esse de ler e contar histórias para os filhos? É o encanto de encontrar no olhar de um filho, um leitor em potencial, um leitor que poderá ser um dia, quem sabe, um escritor. De coisas belas, lindas, encantadoras! Então, que venham muitas noites e muitos pedidos de: “- Pai, Mãe, conta uma história para mim? ”


Se você gostou deste artigo e tem o hábito de cultivar momentos assim com seus filhos, compartilhe conosco! ;)

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